dimanche 24 février 2013

O que é Dunkerque, a cidade que a MUG homenageou no Carnaval capixaba 2013? Entrevista com Pauline Dubois


Pauline Dubois e Slin Ribeiro, os "maestros" da  MUG 2013
Jean Bart, Carnaval, pesca, ocupação holandesa, inglesa e espanhola... A MUG arrasou com seu enredo sobre Dunkerque. A cidade coirmã de Vitoria, localizada no norte de França, na região flamenga, é pouco conhecida no Brasil, tanto como Vitória é mal conhecida na França. Porém, a cidade francesa tem o maior Carnaval da França, com mais de 200.000 foliões. Cordões, bailes e blocos de rua animam a cidade durante três meses inteiros!

A colaboração entre a Grande Vitória e a aglomeração urbana de Dunkerque foi firmada em 2005. Além de trabalhar juntas sobre políticas de reabilitação de áreas centrais degradadas, as duas cidades gêmeas têm acordos de cooperação nas áreas de desenvolvimento portuário, intercâmbios universitários e cultura. O sucesso dessa parceria se deve, em boa parte, a uma francesinha, funcionária publica no departamento das Relações Internacionais da Communauté Urbaine de Dunkerque. Pauline Dubois tem 27 anos e é totalmente fluente em português. Ela nasceu em Dunkerque, com carnaval na mamadeira! Foi criada também em Vitória, onde passou a adolescência nas praias capixabas arrasando na sua prancha de windsurfe. Ela estudou no Rio e trabalhou na Prefeitura de Vitória e contou pra nós como surgiu o enredo da MUG no Carnaval capixaba 2013.




Pauline, como você recebeu a notícia da vitória da Mocidade Unida da Glória?

Eu estava na apuração com a direção da MOCIDADE UNIDA DE GLÓRIA e o presidente Robertinho. Foi um momento muito especial tanto no nível pessoal como no nível profissional. O projeto de intercâmbio saiu da minha cabeça, então devo admitir que estava muito ansiosa. O projeto era muito ousado, tanto para a parte brasileira como para a parte francesa.
Robertinho e Pauline no momento da vitoria 

Quando o samba entrou em sua vida e como começou a sua trajetória com a MUG? 

Eu conheço o Brasil e Vitoria desde pequena porque meus pais têm amigos aqui. O Brasil entrou na minha vida pela família. O samba entrou quando eu era estudante da PUC RIO. Tive a oportunidade de fazer amigos no Rio de Janeiro e fui “entronizada” na escola carioca do SALGUEIRO já tem quase 10 anos! O percurso em Vitória foi diferente, após o show “BATUKE MUSIKE” na Rua da Lama, em 2009, laços de amizade se formaram com os músicos, entre eles Glaydson SANTOS que foi também o produtor do CD do Carnaval de Vitória. Eu fui apresentada ao carnavalesco Petterson Loiz por ele e cheguei a desfilar pela MUG o ano do Enredo sobre a história da cerveja.

Como surgiu o enredo sobre Dunkerque? Como a cidade de Dunkerque inspirou a criação do projeto?

Após meu primeiro desfile na MUG, continuei a trocar ideias com Petterson Loiz e Slin Ribeiro, diretor da Harmonia e filho do Presidente Robertinho da MUG. A ideia de trabalhar sobre Dunkerque foi o resultado de um momento agradável que Petterson Alves, Slin Ribeiro e eu passamos num boteco após um longo dia de trabalho! No inicio foi mais uma conversa por alto, nada sério! Mas finalmente, a ousadia do Slin e do Petterson nos levou a realizar esse desafio!

O inicio do projeto em Dunkerque com Slin Ribeiro e Petterson Alves


Qual foi a contribuição dos franceses para a realização do projeto? Foi dado suporte financeiro à MUG?
Nenhum suporte financeiro foi dado à MUG. Quando a diretoria da escola veio a Dunkerque pela primeira vez, ela até arcou com suas despesas! De qualquer forma, a lei na França não nos permite fazer este tipo de transação e num tempo de crise como agora, jamais nenhum político local teria aceitado conceder apoio financeiro nesse caso. O que decidimos foi financiar o intercâmbio cultural. Convidamos o carnavalesco para passar um mês em Dunkerque para preparar o enredo, convidamos dois passistas da MUG para dar aulas em Dunkerque, fomos uma vez a Vitoria com o casal de mestre-sala e porta-bandeira e a coreógrafa para um treinamento especial. E, finalmente, enviamos 15 bailarinos para compor o desfile da MUG. Fico até constrangida das pessoas poderem imaginar que “compramos” o carnaval! Hoje só quem está no coração do projeto sabe o “sufoco financeiro” que a MUG esta passando. Dunkerque não pagou nada, apenas ofereceu sua história e alguns dos seus profissionais e cidadãos!


Com quem você trabalhou na França e no Brasil? Como surgiram as ideias para os carros alegóricos, as fantasias e as alas?

Trabalhamos com os historiadores de Dunkerque e os museus. Muitos franceses trabalharam nos bastidores para ajudar o Carnavalesco a fazer o enredo sair do papel. O roteiro do desfile foi construído na França, era uma obrigação para respeitar a trajetória da cidade. Todas as ideias artísticas saíram da cabeça do Petterson, ele é um grande artista. Ele é inovador e tenho certeza que será um dos grandes carnavalescos do Rio ou de São Paulo nos próximos anos! Queria fazer homenagem ao Petterson porque ele passou apenas um mês em Dunkerque e se apropriou nossa história!
Desenhos do Carnavalesco Petterson Alves:





 

Quais foram os principais desafios na criação do projeto cenográfico para um dos maiores carnavais do país?

Acho que a parte mais complicada é a da captação. Fiquei muito decepcionada com a recepção das empresas. A MUG é uma escola limpa, uma escola que inclusive trabalha com a Lei Rouanet de incentivo cultural. E mesmo assim, as empresas de maneira geral são frias e distantes! Imaginava que a captação seria mais simples e que os empresários locais se empolgariam mais com a qualidade do carnaval capixaba! Acho que ainda precisa desmistificar uns clichês sobre o trabalho das escolas. Nessa altura, é o financiamento de todas as escolas que me preocupa porque elas não têm meios suficientes para fazer o carnaval crescer mais! E para ter espetáculo grande e concorrência, elas precisam ser apoiadas.

Fico também preocupada com a ausência em Vitória de uma cidade do samba. Conheço bem o Rio e acho que a cidade do samba mudou o trabalho das escolas e ajudou a dar ainda mais qualidade às alegorias e às fantasias. Quando vi as alegorias saírem de Vila Velha empurradas e rodar 12 km para chegar ao Sambão do Povo, entendi melhor os pedidos dos Presidentes das escolas capixabas.


Fora esses dois itens, acho que o mais complicado foi enquadrar um pouco o trabalho artístico do carnavalesco em termo de cronologia e história. Ele teve carta branca, mas dentro de um esboço coescrito. Era muito importante para nós transcrever Dunkerque como os moradores a veem e que todo mundo entendesse o enredo.

Qual foi o seu papel no desfile da MUG no Sambão do Povo?

Fiz parte da Diretoria da escola. Tive sob minha responsabilidade todos os franceses que desfilaram. E ajudar também na harmonia e evolução dos franceses na avenida.
Fotos do franceses no desfile:




Sua paixão pelo Carnaval vem desde pequena? O que você acha do carnaval capixaba?

Fui criada na tradição carnavalesca de Dunkerque então, essa paixão pelo carnaval de escola de samba é somente a continuação internacional do que me compõe. Adoro o carnaval capixaba, adoro ver como esse carnaval cresce a cada ano. O Carnaval capixaba ainda é muito acessível, é fácil desfilar, é fácil se sentir à vontade no Sambão do Povo, acho que será um dia o segundo após o do Rio de Janeiro até porque ele acontece uma semana antes e abre a temporada.

Você tem um novo projeto franco-brasileiro para os próximos anos? Já pensou em ser Carnavalesca?

Olhaaaa que ideia boa, claro que adoraria ser carnavalesca, hoje conheço bem o processo de criação do carnaval porque acompanhei o passo a passo com o Petterson. Mas, para ser carnavalesca: precisa desenhar, precisa conhecer texturas e materiais, precisa muita experiência, e eu não tenho isso! Portanto, deixo a vaga! Antes de qualquer coisa, sou funcionária publica, gosto de desafios: o carnaval foi um e tenho outros pela frente! Os jogos olímpicos do Rio estão chegando, eles são meu novo desafio!
O desfile da MUG:
















3 commentaires:

  1. Oi Emmanuelle, adorei o trabalho.
    Parabéns!!!
    A MUG também está de parabéns. Tudo foi muito lindo e emocionante essa parceria Brasil/França.
    Tomara que surjam novos trabalhos.
    Ah!! É admirável como se comunica bem em português.

    Um beijo, Eliza

    RépondreSupprimer
  2. Olá Manue! Gostei do artigo e achei interessante a parceria entre Dunkerque e Vitória! Muito legal o intercâmbio cultural entre Brasil e França!
    As fotos estão maravilhosas, que bela divulgação do carnaval de Vitória, eu, particularmente, não conhecia.
    E foi mencionado um detalhe preocupante na sua reportagem. A falta de dinheiro nas escolas de samba.O poder público não pode ajudar, pois mal tem verba para problemas de saúde, educação, moradia, etc...E quando a ajuda vem de empresas privadas, estas podem obrigar as escolas a fazer um carnaval sob encomenda. Veja o que aconteceu com a vencedora do Rio, Vila Izabel. Foi patrocinada pela BASF e acabou desenvolvendo um desfile claramente encomendado! Que pena não... "Se ficar o bicho come, se correr o bicho pega". Haveria solução?
    Beijos,
    Ines

    RépondreSupprimer
  3. Ótima essa entrevista da Pauline, que dá entender melhor o trabalho entre os de Dunkerque e os da MUG, a minha escola de coração desde que desfilei com eles em 2005.

    RépondreSupprimer